A Reforma Tributária está trazendo novas decisões para as empresas brasileiras. Para quem está no Simples Nacional, uma das principais dúvidas para 2027 envolve justamente a forma de recolhimento do IBS e da CBS.
A partir das novas regras, a empresa poderá avaliar se mantém esses tributos dentro do Simples Nacional ou se opta pelo recolhimento pelo regime regular.
Na prática, essa escolha pode influenciar a formação de preços, o relacionamento com clientes e fornecedores e até a competitividade da empresa.
Por isso, não é recomendável escolher automaticamente uma das opções sem antes analisar o funcionamento do negócio.
O que são IBS e CBS?
Antes de entender as opções, vale conhecer rapidamente esses dois tributos.
O IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) é um tributo relacionado à tributação sobre o consumo, administrado por estados e municípios.
Já a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) será de competência federal.
Os dois fazem parte da transformação do sistema tributário brasileiro promovida pela Reforma Tributária.
Durante o período de transição, as empresas precisarão se adaptar gradualmente às novas regras e aos novos procedimentos.
Como o IBS e a CBS entram no Simples Nacional?
O Simples Nacional continua existindo como regime diferenciado para microempresas e empresas de pequeno porte.
Entretanto, a Reforma Tributária criou uma possibilidade que merece atenção: a empresa poderá avaliar diferentes formas de recolhimento do IBS e da CBS.
De maneira simplificada, existem dois caminhos que precisam ser analisados:
Opção 1: IBS e CBS permanecem dentro do Simples Nacional.
Opção 2: a empresa permanece no Simples Nacional para os demais tributos, mas recolhe IBS e CBS pelo regime regular.
A segunda alternativa é frequentemente chamada de Simples Nacional híbrido.
Opção 1: IBS e CBS dentro do Simples Nacional
Nesse cenário, a empresa mantém a lógica simplificada de recolhimento.
Isso significa que IBS e CBS continuam integrados à sistemática do Simples Nacional, seguindo as regras específicas aplicáveis ao regime.
Para muitos pequenos negócios, essa alternativa pode representar uma forma mais simples de administrar a tributação.
Além disso, a empresa mantém a característica de centralização do recolhimento, o que pode facilitar a rotina operacional.
Entretanto, simplicidade não significa necessariamente que essa será a alternativa mais vantajosa para todos.
É justamente nesse ponto que a análise tributária se torna importante.
Opção 2: IBS e CBS pelo regime regular
A segunda possibilidade é permanecer no Simples Nacional para os demais tributos e recolher IBS e CBS pelo regime regular.
Esse é o chamado modelo híbrido.
Nesse caso, a empresa precisa considerar não apenas quanto irá recolher, mas também os efeitos relacionados aos créditos tributários.
Por exemplo, imagine uma empresa que vende produtos para outras empresas.
Se os clientes dessa empresa valorizam a possibilidade de aproveitar créditos de IBS e CBS, a forma de tributação escolhida pelo fornecedor pode influenciar a relação comercial.
Consequentemente, uma decisão que parece apenas contábil pode ter impacto diretamente nas vendas.
Por que os créditos tributários são tão importantes?
O sistema de tributação sobre o consumo possui uma lógica diferente daquela tradicionalmente utilizada pelas empresas do Simples.
Em determinadas operações, os créditos tributários podem fazer parte da dinâmica de formação do custo e da tomada de decisão dos clientes empresariais.
Por isso, uma empresa que vende principalmente para outras empresas precisa analisar cuidadosamente esse aspecto.
Por outro lado, quando o negócio atende predominantemente consumidores finais, a análise pode apresentar características diferentes.
O perfil dos clientes é, portanto, um dos pontos que merece atenção antes da escolha.
Um exemplo prático
Imagine duas empresas com faturamento semelhante.
A primeira vende diretamente para consumidores finais.
A segunda fornece produtos para outras empresas que utilizam essas compras em suas próprias operações.
Embora as duas tenham receitas parecidas, a decisão sobre IBS e CBS pode produzir efeitos diferentes.
No primeiro caso, a simplicidade operacional pode ter um peso maior.
No segundo, a questão dos créditos e da relação entre empresas pode ganhar mais importância.
Por isso, não existe uma opção que seja automaticamente melhor para todos os negócios.
O modelo híbrido significa sair do Simples Nacional?
Não.
Essa é uma dúvida bastante comum.
Ao escolher o chamado modelo híbrido, a empresa não deixa necessariamente o Simples Nacional como um todo.
A ideia é permanecer no regime para os demais tributos, enquanto IBS e CBS seguem a sistemática regular.
Assim, a empresa continua enquadrada no Simples, mas passa a ter uma forma diferente de apuração para esses dois tributos.
Por isso, é importante não confundir essa escolha com uma mudança completa para o Lucro Presumido ou Lucro Real.
Quem deve analisar essa decisão com mais atenção?
Embora todas as empresas possam precisar avaliar as novas regras, alguns negócios merecem atenção especial.
Empresas que vendem para outras empresas
Nesse caso, os impactos relacionados aos créditos podem ser relevantes.
Além disso, clientes empresariais podem começar a considerar a estrutura tributária dos fornecedores nas suas próprias decisões de compra.
Empresas com grande volume de compras
Negócios que possuem uma cadeia de fornecedores relevante também devem avaliar como a nova sistemática poderá afetar custos e créditos.
Empresas com margens apertadas
Quando a margem de lucro é pequena, pequenas mudanças na estrutura tributária podem representar diferenças importantes no resultado.
Empresas que trabalham com preços muito competitivos
Nesse cenário, qualquer alteração na formação de preços merece atenção.
A empresa precisa entender se conseguirá absorver eventuais mudanças ou se será necessário rever seus preços.
Como escolher entre as duas opções?
A decisão deve começar pelos números.
Antes de escolher, é importante levantar informações como:
- Faturamento;
- Margem de lucro;
- Tipo de atividade;
- Perfil dos clientes;
- Perfil dos fornecedores;
- Volume de compras;
- Estrutura de custos;
- Formação dos preços;
- Operações entre empresas;
- Possíveis impactos dos créditos tributários.
Depois disso, o ideal é fazer simulações comparativas.
Assim, a empresa consegue enxergar não apenas o valor dos tributos, mas também os efeitos comerciais e financeiros de cada alternativa.
O prazo também merece atenção
Para 2027, as empresas precisam ficar atentas ao calendário estabelecido para a escolha.
O período iniciado em 1º de setembro e encerrado em 30 de setembro de 2026 é importante tanto para a opção pelo Simples Nacional quanto para determinadas decisões relacionadas ao modelo de recolhimento do IBS e da CBS.
Portanto, deixar a análise para o final do mês pode dificultar uma decisão bem planejada.
Além disso, para quem está atualmente no Lucro Presumido ou em outro regime e pretende ingressar no Simples Nacional em 2027, o prazo de setembro é especialmente importante.
E se a empresa já estiver no Simples?
Quem já é optante pelo Simples Nacional e pretende simplesmente permanecer no regime não precisa fazer uma nova opção apenas para continuar nele.
Entretanto, a escolha relacionada ao IBS e à CBS merece ser analisada.
Nesse sentido, mesmo empresas que não pretendem mudar de regime devem aproveitar o período para entender as alternativas e seus possíveis impactos.
O planejamento tributário de 2027 começa antes de 2027.
Quais erros devem ser evitados?
Alguns erros podem comprometer a qualidade da decisão.
Escolher apenas pela menor alíquota
A carga tributária é importante, mas não é o único fator.
É preciso observar também créditos, clientes, fornecedores e formação de preços.
Copiar a decisão de outra empresa
Duas empresas do mesmo setor podem ter estruturas completamente diferentes.
Consequentemente, a decisão de uma não deve ser simplesmente replicada pela outra.
Ignorar os clientes
Uma empresa B2B pode ter impactos comerciais diferentes de uma empresa que vende diretamente ao consumidor.
Deixar para a última hora
Quanto menor o tempo disponível, maior a chance de uma escolha ser feita sem uma análise adequada.
Checklist para sua empresa
Antes de decidir entre IBS e CBS dentro ou fora do Simples, revise:
- Regime tributário atual;
- Faturamento;
- Atividade exercida;
- Margem de lucro;
- Perfil dos clientes;
- Perfil dos fornecedores;
- Volume de compras;
- Formação dos preços;
- Possibilidade de aproveitamento de créditos;
- Impactos financeiros;
- Impactos comerciais;
- Prazo para formalizar a escolha.
Conclusão
A chegada do IBS e da CBS representa uma mudança importante para o sistema tributário brasileiro.
Para as empresas do Simples Nacional, a possibilidade de manter esses tributos dentro do regime ou avaliá-los pelo modelo regular acrescenta uma nova etapa ao planejamento.
A melhor escolha depende da realidade de cada empresa.
Por isso, antes de decidir, analise faturamento, atividade, margem, clientes, fornecedores, preços e possíveis efeitos dos créditos tributários.
Além disso, fique atento ao prazo de setembro de 2026. Uma decisão tomada com antecedência permite comparar cenários e evitar escolhas baseadas apenas em uma percepção superficial.
Se sua empresa está no Simples Nacional ou pretende ingressar no regime em 2027, este é o momento de entender as novas regras e preparar o planejamento.
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